Impossível ir à África do Sul ou apenas pensar na África do Sul e não refletir sobre a trajetória de Nelson Mandela, sobre o escabroso Apartheid e as lutas de tantos em busca da quebra desse regime racista.
As fontes que seguem não são das mais profundas e melhor elaboradas, mas servem como um passinho inicial para quem de repente não manja nada de Nelson Mandela e Apartheid.
Pois tive a oportunidade de ir até o lugar que foi isolamento e prisão de Nelson Mandela: Robben Island. De vários pontos do litoral de Cape Town a ilha é visível, de Ferry Boat são cerca de 30 min de chacoalho de mar que me enjoa que só. A volta do barquinho foi pior, o misto de sensação de uma emoção comovente e triste de ver aquele confinamento com aquele balanço enjoativo, uau, demorou a passar o embrulho!
Hoje a ilha é um museu, estão lá não só a prisão como também hospitais que tratavam (ou simplesmente tinham o papel de isolar, eu acredito) doentes infecciosos; um cemitério de pessoas que sofreram de lepra, uma mina onde o próprio Mandela prestou serviço como prisioneiro. Um ambiente, árido, triste e que se mistura a um céu e à vista mais contemplativa da cidade de Cape Town (depois da vista a partir do topo da Table Mountain, que conto em breve).
Uma edificação foi utilizada para mostra a herança africana em várias partes do mundo, para onde os africanos migraram (ou foram forçados a migrar!) nos diversos continentes, há um mapa com setas que nos direcionam a esses lugares e também diversos painéis que revelam costumes que tem origem africana. É claro que não podiam faltar painéis sobre o Brasil, aliás, eles são maioria e mostram muitas fotos da Bahia e de capoeira.
Há também uma linha do tempo apontando os principais acontecimentos relacionados a esses africanos fora da África. E olha que triste, na última linha está a abolição dos escravos no Brasil, ou seja, a mais tardia de todas! E isso sem entrar no mérito da legitimidade da Lei Áurea...
Mandela por 27 anos (sobre)viveu em um quarto de cerca de 2mx3m, com duas janelas e uma porta, tudo com grade; uma das janelas para o lado de fora, porém alta, não servia para ver, só para entrar luz e outra mais estreita para o lado do corredor.
Dentro da cela permanecem algumas poucas coisas, não sei se representam o período inicial de sua estada lá, pois trata-se de um colchão, um pequeno móvel com gaveta, um rádio; mas já vi em vídeos que havia uma cama escrivaninha, outras tantas miudezas e um porta retrato com sua esposa sorridente.
O gélido corredor leva ao banheiro também frio. Frieza no sentido de ser tudo cinza, fechado, amargurante. Do lado de fora o pátio cinza tal qual, sem elementos, um grande vazio.
Ao saber de sua vida e pisar em Robben Island vejo que tal força é para poucos, para especiais, Mandela foi e é diferente.
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