quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Robben Island – a prisão de Mandela

Impossível ir à África do Sul ou apenas pensar na África do Sul e não refletir sobre a trajetória de Nelson Mandela, sobre o escabroso Apartheid e as lutas de tantos em busca da quebra desse regime racista.
As fontes que seguem não são das mais profundas e melhor elaboradas, mas servem como um passinho inicial para quem de repente não manja nada de Nelson Mandela e Apartheid.
Pois tive a oportunidade de ir até o lugar que foi isolamento e prisão de Nelson Mandela: Robben Island. De vários pontos do litoral de Cape Town a ilha é visível, de Ferry Boat são cerca de 30 min de chacoalho de mar que me enjoa que só. A volta do barquinho foi pior, o misto de sensação de uma emoção comovente e triste de ver aquele confinamento com aquele balanço enjoativo, uau, demorou a passar o embrulho!
Hoje a ilha é um museu, estão lá não só a prisão como também hospitais que tratavam (ou simplesmente tinham o papel de isolar, eu acredito) doentes infecciosos; um cemitério de pessoas que sofreram de lepra, uma mina onde o próprio Mandela prestou serviço como prisioneiro. Um ambiente, árido, triste e que se mistura a um céu e à vista mais contemplativa da cidade de Cape Town (depois da vista a partir do topo da Table Mountain, que conto em breve).
Uma edificação foi utilizada para mostra a herança africana em várias partes do mundo, para onde os africanos migraram (ou foram forçados a migrar!) nos diversos continentes, há um mapa com setas que nos direcionam a esses lugares e também diversos painéis que revelam costumes que tem origem africana. É claro que não podiam faltar painéis sobre o Brasil, aliás, eles são maioria e mostram muitas fotos da Bahia e de capoeira.
Há também uma linha do tempo apontando os principais acontecimentos relacionados a esses africanos fora da África. E olha que triste, na última linha está a abolição dos escravos no Brasil, ou seja, a mais tardia de todas! E isso sem entrar no mérito da legitimidade da Lei Áurea...
Mandela por 27 anos (sobre)viveu em um quarto de cerca de 2mx3m, com duas janelas e uma porta, tudo com grade; uma das janelas para o lado de fora, porém alta, não servia para ver, só para entrar luz e outra mais estreita para o lado do corredor.
Dentro da cela permanecem algumas poucas coisas, não sei se representam o período inicial de sua estada lá, pois trata-se de um colchão, um pequeno móvel com gaveta, um rádio; mas já vi em vídeos que havia uma cama escrivaninha, outras tantas miudezas e um porta retrato com sua esposa sorridente.
O gélido corredor leva ao banheiro também frio. Frieza no sentido de ser tudo cinza, fechado, amargurante. Do lado de fora o pátio cinza tal qual, sem elementos, um grande vazio.
Ao saber de sua vida e pisar em Robben Island vejo que tal força é para poucos, para especiais, Mandela foi e é diferente.

Waterfront

É o porto de Cape Town. Meio esquisito o funcionamento porque dá pra ver que não é por lá que entram as grandes cargas, de qualquer maneira entram uns navios e tal.
Lá tem bastante gente, turistas em maior parte, o povo de lá cheio da grana, tem o maior shopping, bares. É um lugar bonito, muito bonito, mas sinceramente, central da turistagem o que não é muito minha cara.
Infelizmente me dei conta que perdi umas fotos ao gravar no computador, sei lá o que deu, confesso que sou meio vacilona com tecnologias, mas foi justamente desse lugar, então até que tudo bem.
O legal é: de lá que sai o Ferry Boat para Robben Island, a ilha onde havia uma prisão política, local onde Mandela passou 27 anos preso, falo no post seguinte.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Atlântico e Índico

Tirei dois dias seguidos para conhecer a praia daqui. No sábado fui a Muizemberg que fica do lado do oceano Índico. Opa primeira vez que coloco os pés na água fora do Atlântico! Apesar de no lado do Índico o mar ser mais quente coloquei só o pé mesmo, é desse lado que tem mais incidência de tubarões, na areia é colocada uma bandeira indicando a probabilidade de tubarões que pode ser branca, azul, vermelha ou preta e no dia que tive lá era a preta, que significa maior risco. Eu hein! Só no pezinho. Mas o povo tava se esbaldando na água, praia cheia e um monte de gente nadando. Galera corria pra fora só no apito do guarda, que é o aviso de que tem tubarão perto naquele momento. É muito louco ver a cena.
Mas acho que mais incomodo que o tubarão na praia era o vento. Aqui o lance é ir pra praia quando o vento tá leve, o que acontece bem de vez em quando aqui.
O vento é tão forte que o povo pra curtir praia não leva guarda-sol não, é barraca, daquelas de acampar, interessante também é que vão de roupa, há muitos muçulmanos, ok, mas é todo mundo, até os que não são. Comecei a ver que é vantajoso o lance da roupa porque o vento carrega forte a areia, ela batendo no corpo, pareciam umas picadinhas. As aves tentando voar na direção contrária ao vento não conseguiam sair do lugar ou acabavam indo pro lado, tipo caranguejo! Rs.
Outra coisa curiosa é que as pessoas ficam em todos os ambientes da praia, eles abrem suas cangas, fazem a “farofada”, tomam sol, brincam em qualquer lugar: no calçadão, na rampa de acesso à praia, na grama da praça que tem do lado da via da praia. É bem engraçado
No dia seguinte fui a Camps Bay, diferente de Muizemberg, lá é uma praia com mais comércio à beira da praia, restaurantes, bares etc, mas também é uma praia linda e de natureza bem conservada. O mar um lindo plano azul (assim como no lado Índico) e extremamente gelado. Eu dei sorte, nesse dia ainda era possível entrar, o dia estava perfeito para praia, muito calor e o mar tava mais quente, mas esse ‘quente’ nem se compara a temperatura do mar da costa brasileira.
Pois bem meus queridos que tanto pediram pra eu não entrar no mar com medos dos sharks...não deu pessoal, o calor torrando e aquela água linda, não resisti. To aqui, viva hahaha, todo os membros ok, dois braços, duas pernas e toda vez que o moço apitava eu saia da água. Hahaha que medo!
Informação: vi o quanto a gente é porco viu?!! Não há sujeira nesse lugar! Em nenhum lugar. Praias limpas, ruas limpas, nem na favela tem sujeira no chão. Depois da festa que eu fui lá a criançada toda recolhendo o que ficou de sujeira e por iniciativa própria!
Temos muito a aprender.