terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Bo-Kaap

Meu primeiro dia de aula foi bem legal, curso puxado, bastante intensivo, mas to me virando bem. Na classe de 8 pessoas dois são suíços e o restante só brasileiros. Aliás, os brasileiros resolveram vir em comboio pra cá, cada um veio por si, mas tanto na acomodação quanto na escola estamos em maioria.
Ao vir pra cá jurei que não queria nem saber de ficar em contato com brasileiros, pra ficar na imersão, contudo tá tudo bem, pois como tem uns gringos no meio acabamos falando em inglês para ninguém ficar de fora da conversa.
As aulas são de manhã então tenho a tarde livre. Nesse primeiro dia fui conhecer Bo-Kaap que é um dos mais antigos bairros, cheios de casinhas coloridas onde em uma delas está instalado um museu. Nas varandas das casas alguns senhores muito velhinhos e um deles se dispôs contar a história do lugar. Bo-Kaap é onde foram instalados os ex-escravos daqui, imigrantes de várias partes do norte e lá permanecem suas raízes, pois quase nenhum dos descendentes abandonaram as casas. Destes criou-se a tradição do carnaval daqui que acontece em 2 e 3 de janeiro quando saem blocos na rua. Vou poder ver!
Esse dia foi de calor mais intenso e apesar de aqui ventar muito, quase não havia vento nesse dia, tava de torrar!
Nesse primeiro contato com o povo mesmo algumas coisas chamaram muito a atenção. Mesmo sendo um dia de trabalho o trem, principal transporte daqui, não é muito lotado. É nele onde se percebe a diversidade de idiomas.
Vejo que todos os dias vagam pessoas pelo trem pedindo um trocado, mas muito diferente do Brasil o pedido é na forma de canção. Andam lentamente, normalmente em duas pessoas e cantam juntos com uma beleza emocionante canções tradicionais e ao que parece religiosas, reconheço pelos “halellujas” no meio de outras palavras. É forte.
Ainda com relação ao trem soube que só é preciso ter cuidado com o horário de fim de expediente ao passar pela estação chamada Woodstock, que é um bairro industrial e mais ermo e perigoso e nela entram os caras meio “função” que se aproveitam dos trabalhadores estão voltando pra casa com grana. Mais cedo ou mais tarde que isso, tudo ok.
No dia seguinte, após a aula encontrei a pessoa que contatei por e-mail antes de vir, a Heather, ela é DJ aqui e trabalha numa loja de discos que também é um Sound System chamado African Dope. Esta loja ainda não conheci, mas ela me levou em uns lugares do centro que jamais como turista eu conheceria, uma delas bem bacana com bastante vinil, mas quase nada de reggae. Percebi que aqui não é forte a cultura do vinil, mas consegui encontrar um disco bem interessante de música africana, um grupo chamado The Warriors, de groove pesado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário